Depois da caminhada, tomamos café e ligamos na companhia aérea para saber a respeito da outra mala. Estava em Paris. Disseram que entregariam hoje mesmo, mas como a gente tinha a festa, o Gerhard deu o número do apartamento de cima para a vizinha receber. Escrevi para minha sogra (Hidelgard) um cartãozinho (que a Eva me fez o favor de traduzir para o alemão, quando eu ainda estava em BH) lhe dando os parabéns e dizendo que me sentia grata por me receber em seu país e em sua família. Tomei banho. Coração disparado. No estômago. Saí do banho, abri o armário. Olhei para todas as roupas e achei melhor colocar um pretinho básico (que usei no niver da Aninha) para não correr o risco de chamar atenção demais. O Gerhard amou o vestido e ficou impressionado de ter sido a mamãe que fez!!! Disse, inclusive que tínhamos que contar para a mãe dele isto! Achei ótimo!
Fomos. No caminho... não tenho nem como explicar... nervosismo total. Paramos para comprar flores para ela. Achei que uma orquídea fosse a melhor opção. Chegamos. Tinha chegado a grande hora! Enquanto pegávamos as flores e uma sacola (cheia de havaianas para os sobrinhos) a mãe dele sai, primeiro, meio rápido com os braços meio abertos vindo logo em minha direção. Me aproximei, vendo um monte de cabecinhas nas janelas ao lado da porta de entrada, e ao abraçá-la, seus olhos encheram de lágrimas!! Nos abraçamos por algum tempo e eu só sabia dizer “Prazer”. Daí, cumprimentei seu pai e eles o cumprimentaram. Fomos para a casa e todos estavam na porta já esperando com caras ansiosas! Entramos. Entreguei a flor, o cartão e um oratóriozinho com a Nossa Senhora da Aparecida dentro, que comprei no Mercado Central. Parece ter adorado. Passou o cartão para que a filha (Rosemarie) lesse. Daí em diante comecei a ficar mais tranqüila e a vontade. Entreguei as cinco marias, que minha mãe e eu fizemos, para a Melanie (a sobrinha menorzinha), e a ensinei a jogar. Ela não conseguiu... acho que é meio nova pra isso (6 anos), mas eu mal sabia que o jogo se tornaria a “sensação” da festa mais tarde. As pessoas foram chegando (tios, irmão, tios, irmã, mais tios) e ele ia me apresentando. Eu só falava “Freut mich” (prazer). A família toda é bem legal! O pai ficou mais na dele. Às vezes olhava... sorria. O irmão conversou mais comigo (ele fala inglês) e a mulher que trabalha com ele na igreja (Monica) é super gente boa. Acho que foi a pessoa com quem mais conversei. As irmãs dele são uma gracinha! Todas as duas foram super atenciosas e um amor comigo. Os sobrinhos são um barato! São seis, mais três agregados (dos mais velhos). Daí, juntam os nove (dos 6 aos 24 anos, sem discriminação) e fazem uma farra!!! A Melanie me chamou para o quarto dela e ficamos quase uma hora brincando de boneca, maquiagem, etc. Ela disparava a falar em alemão mesmo, e não queria nem saber se eu estava entendendo ou não! E eu ia falando em inglês e ela só respondia “Yes!” Perguntava se gostava mais de rosa ou azul e ela respondia Yes! Hahahahah Mais tarde o namorado de uma das sobrinhas me chamou para jogar Playstation. Eu disse que nunca tinha jogado, mas foi uma diversão só!!! Os nove, o Gerhard e eu! Quando cansamos dos tais jogos (é uma ginástica danada o tal jogo), jogamos as cinco marias. Até a mãe do Gerhard teve que jogar!!! Hahahahha E de todos ali acho que ela ficou especialmente feliz e emocionada de eu estar aqui. Toda hora ela vinha, me abraçava (e eles não são de abraço), me beijava no rosto (muito menos de beijo) e eu percebia seus olhos cheios de lágrimas. Sempre dizia o quanto estava feliz em me conhecer e algumas vezes disse também que eu preciso aprender logo alemão para podermos conversar. No final da festa, logo antes de partirmos, ela me puxou pela mão, me chamando para ir com ela. Subimos as escadas e fomos ao seu quarto. Enquanto ela parecia procurar algo, eu observava sua foto de casamento. Daí, fomos ao quarto ao lado e ela me contou que era o quarto do Gerhard. Me mostrou um armário entupido de pastas com o que escreveu (ela escrevia, já publicou um livro, eu acho). Então, me entregou um crucifixozinho num terço (um pequenininho, só com uma voltinha) e, novamente, quase chorando, me disse ser um prazer me conhecer e alguma coisa do Gerhard (só entendi o nome dele), enquanto segurava minha mão. Eu disse ser um prazer para mim também e que o amo muito. Ao dizer isso, ela falou “eu sei, eu sei” me abraçando. Foi uma emoção muito forte! Limpando as lágrimas que escorreram e segurando as outras, voltamos para o local da festa. O Gerhard e eu nos despedimos de todos e fomos embora. No carro conversamos sobre tudo que estávamos sentindo (sempre fazemos isso) e então, dormi. Quando chegamos em casa, lá estava minha outra mala! Eeehhh!!! Escovei os dentes e apaguei.
Ah, estava quase me esquecendo de contar!!!!!... a comida! Putz!!!! A comida é boa demais da conta! Uma variedade incrível e porções gigantes! Então, se você coloca três coisas no prato para experimentar pelo menos um pouco do que tem, fica quase explodindo de tão cheio!!! Isso, porque nem espera que ainda vem um batalhão de sobremesas, vinho, bolos, café, doces, schnaps (tipo uma cachaça daqui, mas feito de frutas), mais sobremesas... lanche, doces, café.... no fim eu já tava achando que ia explodir mesmo!!! O negócio aqui é danado... se não tomar cuidado, dá pra virar uma bola fácil!!!!